segunda-feira, 22 de junho de 2009

Confesso que vivi (sem diploma)

Hoje é (acho que mais um) dia em que se comemora o Dia do Amigo.
Tenho recebido muitas mensagens e enviado outras tantas aqueles que, perto ou longe, têm sido fiéis escudeiros e ternos companheiros de caminhos, seja qual for a topografia. Amizade gravada na emoção e em pegadas, que o vento e o tempo não apagam.
Escolhi hoje, nem sei bem porque, para encerrar este blog.
Tem muita coisa misturada sobre o que me move e comove no dia a dia. Tem sido um bom exercício. Outros virão.

Pra encerrar, preciso apenas dizer o que penso sobre o debate fervoroso que envolve a questão da formação e do diploma de graduação de jornalista.
Sou profissional da área de comunicação social desde 1974.
Por cerca de vinte anos trabalhei em atendimento, mídia, pesquisa de mercado, marketing e assessoria de imprensa em agencias de propaganda e empresas do setor privado. Criei e gerenciei departamentos. Enfrentei e venci desafios e pré-conceitos. Aprendi muito. Estudei bastante. Tarefas das quais não abro mão. Tem muita coisa que eu ainda preciso e quero aprender.
Hoje, trabalho como assessora de imprensa. Há quatorze anos, e sem diploma.

Por que sem diploma?
Bem no inicio, faltava grana. Depois, já na maratona de administrar a sobrevivência de todo dia, continuava faltando grana. E tempo. Mas, consegui mais do que sobreviver. Confesso que vivi.
Gosto do que faço. Tenho sorte e conquistei o direito e o prazer de fazer somente o que gosto.
Tenho uma irmã, cronologicamente mais nova que eu, jornalistacomdiploma. Já declarou que escolheu o curso universitário e a profissão por testemunhar e admirar minhas lutas, alegrias e conquistas profissionais. Minha filha, idem. A primeira é reconhecida como referência numa das áreas da Comunicação. A outra, embora em fase de estágio, já tem a sua marca e individualidade na área. Mea culpa, meu orgulho.

Ao longo desses anos recebi inúmeros convites - amigos jornalistas, professores e profissionais de comunicação social – para dar palestras e aulas específicas em cursos e universidades sobre temas afins. Algumas (poucas) vezes, em ambientes restritos e com um certo constrangimento, aceitei ‘convites compulsórios’ de algumas chefias.

Ocasiões em que, compartilhando experiências com alunos da universidade, fiz sempre questão de declarar não ser ‘jornalistacomdiploma’ e afirmar a importância da formação acadêmica. Mas, principalmente, a necessidade da busca permanente de conhecimentos e informação, além da técnica e do tutorial academicista posto e proposto de modelagem intelectual, que reduz o diploma a um troféu.
Essa é a questão. É contra esse modelo, que fomenta o enriquecimento dos mercenários da educação que precisamos, ‘comdiploma’ e ‘semdiploma’, nos insurgir.

Afinal, qual é o significado e o valor do diploma?
A instituição da obrigatoriedade do diploma para jornalistas é um resquício da ditadura militar. Uma estratégia maquiavélica para tirar das redações o que consideravam o ‘pensamento subversivo’.
É justo reduzir a discussão a tempo e investimento financeiro?
Diploma ou passaporte?
Por que motivos a Federação, Sindicatos, Associações de Classe engessaram-se em ações corporativistas.
Encontros, plenárias, assembléias e fóruns, pagos por seus associados e patrocinados por empresas privadas, sempre receberam denúncias dos ‘comdiploma’, principalmente de cidades e municípios afastados dos grandes centros, na luta por seus direitos.
Por que a abertura de tantos procedimento criminais contra jornalistas sem diploma? Por que não contra as empresas? Garantia dos próprios empregos e de patrocínios?
Onde ficou a defesa da qualidade do ensino? Que ações e movimentos foram feitos em defesa das garantias constitucionais de emprego, em especial, para os recém-formados?
E os jornalistas donos de “empresas de assessoria de imprensa”.
Por que, e com que justificativa, atuam e se apropriam de ações nas áreas de marketing, relações públicas, propaganda e/ou produção de eventos, além de aceitar convites, proferir palestras e demonstrar ‘cases’ que extrapolam a competência do diploma da profissão de jornalista?

A Federação Nacional dos Jornalistas diz que o diploma (como parte de uma regulamentação profissional) é um direito do jornalista. Não é.Direito de jornalista é trabalhar em condições dignas, o que inclui, especialmente, o respeito à integridade que o produto de seu trabalho fizer por merecer. Diploma não tem nada com isso.Diploma tampouco impede que o jornalista cometa assassinatos de caráter, o que não é propriamente raro na imprensa brasileira. Nem garante que o consumidor do trabalho jornalístico terá respeitado o seu direito essencial à informação honesta, fundamentada e veraz.Em tempo: este jornalista, que entrou pela primeira vez na redação de um jornal antes de entrar numa faculdade, tem a sorte de ser de um tempo em que não existia essa história de diploma. Nem ele, nem aqueles que lhe ensinaram o ofício, nem outros profissionais a quem mais admira, formaram-se em comunicação.

...
E é justamente de Cláudio Abramo uma das mais contundentes declarações contra essa obrigatoriedade: "Para ser jornalista, é preciso ter uma formação cultural sólida, científica ou humanística. Mas as escolas são precárias. Como dar um curso sobre algo que nem eu consigo definir direito? Trabalhei 40 anos em jornal e acho muito difícil definir o que meia dúzia de atrevidos em Brasília definem como curso de jornalismo. Foi o que fez o patife do Gama e Silva (ministro da Justiça de Costa e Silva), que elaborou a lei para tirar os comunistas dos jornais". (Cláudio Abramo, "A Regra do Jogo", São Paulo, Companhia das Letras, 2002, páginas 247 e 252)."
(Fonte: http://jornalistassemdiploma.blogspot.com/)

Muito ainda há que levar em conta na discussão do tema.
Urgente é a formação e o aperfeiçoamento dos profissionais de comunicação, para as diversas funções e responsabilidades na elaboração e adequação de conteúdos, a partir da renovação e inovações das mídias digitais e suas plataformas.

Recomendo a leitura:
Sexta-feira, Junho 19, 2009
MERVAL PEREIRA -O diploma e o monge
O GLOBO
Gostei muito de um comentário do Carlos Heitor Cony em seu programa com o Arthur Xexéo na CBN.Disse ele: "O diploma não faz o jornalista, assim como o hábito não faz o monge". Uma definição perfeita da situação que vivemos hoje, depois que o Supremo Tribunal Federal acabou com a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Cony completaria a explicação salientando que nós, jornalistas, somos que nem os jogadores de futebol, testados no campo, no dia a dia da profissão. Não adianta ser amigo do técnico, nem ser indicado por amigo do patrão ou do chefe. Se o jornalista não for competente na sua função, não resiste na carreira, ou vai ficar marcando passo. Com ou sem diploma.
http://arquivoetc.blogspot.com/2009/06/merval-pereira-o-diploma-e-o-monge.html



Como é que um olhar enviesado pelo véu da ideologia vigente, que encobre e envolve todas as expressões sociocul turais, pode atingir a entranha das coisas e revelar suas relações perversas e mentirosas?”Adorno
“Foi dada a eles a escolha de se tornarem reis ou mensageiros de reis. Com a ingenuidade das crianças todos escolheram ser mensageiros. Eis porque só existem mensageiros, que correm pelo mundo e, como não há mais reis, gritam uns para os outros mensagens que não têm mais sentido.”
Franz Kafka

“A falta de convicções dos jornalistas, a prostituição de suas vivências e de suas crenças só é compreensível como ponto culminante da reificação capitalista."
Georg Lukács

quinta-feira, 18 de junho de 2009

NOOSFERA (*)

Filosofia, aforismos e
a indústria da informação e da cultura


A Escola de Atenas (1510/11),
obra de Rafael, pintor renascentista italiano

"A unanimidade comporta uma parcela de entusiasmo, uma de conveniência e uma de desinformação."
C. Drummond de Andrade

“Foi dada a eles a escolha de se tornarem reis ou mensageiros de reis. Com a ingenuidade das crianças todos escolheram ser mensageiros. Eis porque só existem mensageiros, que correm pelo mundo e, como não há mais reis, gritam uns para os outros mensagens que não têm mais sentido.”
Franz Kafka

“A sociedade inteiramente administrada é a da subordinação de todas as esferas da vida ao fator econômico. Ela é uma “prisão ao ar livre”, na qual “a garantia de não morrer de fome é obtida em troca do risco de morrer de tédio”.
Raoul Vaneigen

“...Ter em vista, na expressão, a coisa em vez da comunicação, é coisa suspeita: o que é específico, não extraído de esquemas preexistentes, aparece como uma desconsideração, um sintoma de excentricidade, quase de confusão. A lógica atual, que tanto se vangloria de sua clareza, colocou ingenuamente tal perversão na categoria da linguagem quotidiana. A expressão vaga permite àquele que a ouve representar-se aproximadamente o que lhe convém e que ele de todo modo já tem em mente. A rigorosa impõe uma compreensão inequívoca, um esforço conceitual, do qual as pessoas perderam deliberadamente o hábito, exigindo delas diante de todo conteúdo a suspensão dos juízos habituais e, deste modo, um certo afastamento, a que elas resistem violentamente. Apenas aquilo que elas não precisam compreender primeiro é tido como compreensível; só aquilo que, em verdade, é alienado, a palavra cunhada pelo comércio, é capaz de tocá-las como algo familiar. Poucas coisas contribuem tanto para a desmoralização dos intelectuais. Quem quiser subtrair-se a ela, tem que considerar todo conselho a dar atenção à comunicação como uma traição ao que é comunicado”.
Adorno

“o poder da indústria cultural provém de sua identificação com a necessidade produzida, não da simples oposição a ela, mesmo que se tratasse de uma oposição entre a onipotência e impotência”
Adorno

“quem escreve deve combinar o controle mais rigoroso, no sentido de que a palavra signifique a coisa e só a coisa, nenhum olhar de través com a auscultação de cada locução, o esforço paciente para ouvir o que linguisticamente, em si, se sustenta ou não se sustenta”
Adorno

“A falta de convicções dos jornalistas, a prostituição de suas vivências e de suas crenças só é compreensível como ponto culminante da reificação capitalista."
Georg Lukács

“...
Toda participação no mundo social, cultural,construído e administrado historicamente pelos dominantes e regido pelas relações de interesses está eivada pelo vírus da falsidade. O processo de exploração do homem pelo homem não existe apenas no mundo do trabalho, das leis, da repressão estatal, na estrutura da família, da igreja, da escola, na manipulação dos meios de comunicação. Dá-se em todas as manifestações de vida, no próprio ato de socialização, de conversação, de ajuda ao necessitado, de condescendência. Enxergar isso criticamente é um passo inicial para se tentar reverter as relações sociais de dominação presentes no cotidiano. Como é que um olhar enviesado pelo véu da ideologia vigente, que encobre e envolve todas as expressões sociocul turais, pode atingir a entranha das coisas e revelar suas relações perversas e mentirosas?”
Adorno


“...o aforismo, um protesto contra a maneira acadêmica padronizada de escrever e contra os sistemas fechados e “completos”.
Bruno Pucci, Professor doutor da Faculdade de Educação da U NIMEP e coordenador do grupo de estudos e pesquisas Teoria Crítica e Educação. Pesquisador do CNPq e da Fapesp

Ver o comentário de Olgaria Matos “A indústria da consciência”,
sobre a tradução de Minima Moralia, de Theodor Adorno, feita por Gabriel Cohn (Azougue editorial), publicado no portal Carta Maior - Arte & Cultura em 28/05/2009
http://www.cartamaior.com.br

(*) O conceito da noosfera é atribuído ao filósofo francês Teilhard de Chardin. Segundo ele, assim como há a atmosfera, a geosfera e biosfera, existe também o mundo ou esfera das idéias, formado por produtos culturais, pelo espírito, linguagens, teorias e conhecimentos. Seguindo esta linha de pensamento, alimentamos a noosfera quando pensamos e nos comunicamos. A partir de então, o conceito de noosfera foi revisto e conseqüentemente sendo previsto como o próximo degrau evolutivo de nosso mundo, após sua passagem pelas posteriores transformações de geosfera, biosfera, "tecnosfera" (temporária e em andamento) e, então, a noosfera.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Noosfera

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Blog da Petrobras - Midiatrix Revelations

O vídeo, no final deste post. é apenas uma sátira, oportuna e bem humorada, que ilustra o embate que vem sendo travado nos dias recentes entre os grandes grupos da mídia e muitos de seus porta-vozes: uma ação em cadeia, provocada pela criação do Blog Fatos&Dados da Petrobras - www.fatosedados.com.br.

A questão vem sendo abordada, em geral, num tom maniqueísta de medida de forças e credibilidade entre o sagrado e o profano, quando o que realmente importa é a informação.

Tem que investigar sim!

Afinal, a Petrobras é uma empresa brasileira quarta colocada no ranking das maiores petrolíferas de capital aberto do mundo e, em valor de mercado, terceira maior empresa do continente americano e ocupa o sexto lugar entre as maiores empresas do mundo.
Em 2008 a Petrobras ultrapassou a Microsoft, tornando-se a terceira maior empresa do continente americano em valor de mercado, segundo a consultoria Economática. Também, em 2008, tornou-se a terceira empresa mais lucrativa das Américas, exceto o Canadá, superando a Vale.

O que está em jogo é a soberania do país.

Agora, o que não se pode admitir é a que a escandalização de denúncias e fatos, ainda sem a apuração e comprovação devidas e necessárias, sejam forjadas como informação, a título do interesse público e a reboque de interesses empresariais e políticos.

O portal Carta Maior - http://www.cartamaior.com.br/ - publicou, em 21 de maio, o artigo Internet vs. Mídia tradicional: mudança sem retorno, assinado por Venício Lima, pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília - NEMP - UNB, com a seguintes afirmação:

Duas pesquisas divulgadas recentemente mostram, de forma inequívoca, a dimensão das mudanças que estão ocorrendo no “consumo” de mídia, tanto no Brasil como no mundo. Elas são tão rápidas e com implicações tão profundas que, às vezes, provocam reações inconformadas de empresários e/ou autoridades que revelam sérias dificuldades para compreender ou aceitar o que de fato está acontecendo no setor de comunicações.
Leia o artigo na íntegra: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4350

Não dá pra manobrar a correnteza.
Transparencia é o que conta na 'nova ordem mundial'.
Entre direitos e deveres, o de se contribuir para a formação de uma opinião pública bem informada, democrática e plural.


sábado, 13 de junho de 2009

Só de sacanagem - Elisa Lucinda

Blog da Petrobras - CELACANTO PROVOCA MAREMOTO

Blog da Petrobras
O furor causado pela iniciativa da Petrobras de criar um blog, seu conteúdo e objetivos, nos traz uma excelente oportunidade de reflexão sobre o papel da imprensa, o exercício de ser jornalista, o impacto e as conseqüências que novas formas e usos da tecnologia estão trazendo, em especial, ao universo da informação e da comunicação.

Estamos num tempo de renovação de paradigmas, não necessariamente de valores, mas o que parece propor 'passar do discurso à prática' do desejo unânime da 'tal' liberdade de expressão.
Aos ‘coleguinhas' fico com Sócrates:
“...em vez de tampar a boca dos outros, preparar-se para ser o melhor possível."

Celacanto provoca maremoto
Uma das primeiras e enigmáticas pichações, onipresente nos muros da cidade do Rio de Janeiro, no final dos anos 70, copiada nos muros de outras muitas cidades do país, CELACANTO PROVOCA MAREMOTO, depois de algum tempo acabou sendo desvendada. Era criação de um menino, com apenas 17 anos na época, o jornalista carioca Carlos Alberto Teixeira. A inspiração, um dos episódios do seriado japonês National Kid, sucesso da televisão brasileira na década de 60, intitulado Contra os Seres Abissais.
"Não se aventurem nas profundezas dos oceanos. O celacanto quando se enfurece emite grandes ondas de ódio".
Tem gente que traduz melhor o significado dos fatos.
(extraído do artigo Conselho federal da meia dúzia de famílias donas do jornalismo no Brasil, assinado pela jornalista Marilene Felinto, da Caros Amigos, publicado no site www.piratininga.org.br em outubro de 2004)

"A imprensa escrita e audiovisual é dominada por um jornalismo reverente", como bem diz Serge Halimi, "por grupos industriais e financeiros, por um pensamento de mercado, por redes de conivência.
Um pequeno grupo de jornalistas, onipresentes, impõe a sua definição de informação-mercadoria a uma profissão cada vez mais fragilizada pelo medo do desemprego. Eles servem aos interesses dos donos do mundo.
São os novos cães de guarda" (Serge Halimi, Les Nouveaux Chiens de Garde).
Pois eu me orgulho de ter caído fora do establishment da imprensa paulista por me recusar a escrever o que o patrão manda. Não fui demitida da Folha de S. Paulo (como ainda me perguntam alguns leitores): pedi demissão.
Saí no momento exato em que vieram impor o que eu deveria ou não deveria escrever. Não escrevo o que o patrão manda. Não nasci para marionete.
A censura existe, sim. Não é igual à censura das ditaduras, funciona de outra maneira. "Como se oculta hoje a informação?", pergunta Ramonet. "Através de um aumento de informações: a informação é dissimulada ou truncada porque há demasiada para consumir.
E não chegamos mesmo a aperceber-nos da que falta." Além disso: a censura da redação de jornal "consiste em suprimir, em amputar, em proibir um certo número de aspectos dos fatos, ou até a totalidade dos fatos, a ocultá-los, a escondê-los".
A tudo isso, diz ele, vem juntar-se aquela prática muito difundida nos meios midiáticos que consiste, para qualquer jornalista que pretenda fazer normalmente carreira no meio, não criticar as práticas criticáveis dos seus confrades. "Os midia, para venderem, têm de dar uma boa imagem de si mesmos e têm, pelo menos, de fazer acreditar na sua própria integridade e imparcialidade."
Na "nova ordem mundial" em voga, a informação é impulsionada e guiada pelo mercado e se caracteriza, como lembra Roberto Sávio, por uma crescente concentração, tanto dos meios de comunicação quanto das empresas de telecomunicações, e pela homogeneização dos conteúdos, o que desemboca no nefasto fenômeno do "pensamento único".
Exemplo: os dois maiores jornais diários de São Paulo, Folha e Estado, cobrem de forma idêntica o governo Lula: minimizam os sucessos (política externa, geração de empregos, equilíbrio da economia, investimentos na área social etc.) e optam pela desmoralização pura e simples. Não são jornais críticos (e crítica sempre há a ser feita), são jornais difamadores, que apostam na derrocada de um governo só porque não se trata de um governo da laia deles.
O negócio dos dois jornais é regurgitar na deformação preconceituosa, na desinformação, na mensagem negativa que enquadre os sem-nada, os sem-terra, os Lula da vida (nordestino, pobre, sem diploma universitário) e convença a sociedade de que eles nada valem. As maiores revistas (Veja, Época, IstoÉ) seguem na cola desse pensamento único. São todas iguais na estupidez. Uma vergonha. Não há mais o que ler. Essa história de jornalismo independente no Brasil de hoje é uma fraude espetacular.
"Questionamo-nos sobre o futuro dos jornalistas. Eles estão em vias de extinção", diz Ignacio Ramonet. "O sistema já não os quer. Podia funcionar sem eles. Ou digamos, antes, que aceita funcionar com eles, mas atribuindo-lhes um papel menos decisivo: o de operários numa produção em cadeia (...). Dito de outra maneira, rebaixando-os para a categoria de retocadores de despachos de agência. A qualidade do trabalho dos jornalistas está em vias de regressão e, com a precarização galopante da profissão, acontece o mesmo com o seu estatuto social."
Marilene Felinto é escritora e jornalista. (contato: marilenefelinto@carosamigos.com.br)

Vale a pena ler também:

Nova descoberta da Petrobrás abala mídia, artigo de Marcelo Salles no portal da revista CarosAmigos
http://carosamigos.terra.com.br
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