Tenho recebido muitas mensagens e enviado outras tantas aqueles que, perto ou longe, têm sido fiéis escudeiros e ternos companheiros de caminhos, seja qual for a topografia. Amizade gravada na emoção e em pegadas, que o vento e o tempo não apagam.
Escolhi hoje, nem sei bem porque, para encerrar este blog.
Tem muita coisa misturada sobre o que me move e comove
no dia a dia. Tem sido um bom exercício. Outros virão.Pra encerrar, preciso apenas dizer o que penso sobre o debate fervoroso que envolve a questão da formação e do diploma de graduação de jornalista.
Sou profissional da área de comunicação social desde 1974.
Por cerca de vinte anos trabalhei em atendimento, mídia, pesquisa de mercado, marketing e assessoria de imprensa em agencias de propaganda e empresas do setor privado. Criei e gerenciei departamentos. Enfrentei e venci desafios e pré-conceitos. Aprendi muito. Estudei bastante. Tarefas das quais não abro mão. Tem muita coisa que eu ainda preciso e quero aprender.
Hoje, trabalho como assessora de imprensa. Há quatorze anos, e sem diploma.
Bem no inicio, faltava grana. Depois, já na maratona de administrar a sobrevivência de todo dia, continuava faltando grana. E tempo. Mas, consegui mais do que sobreviver. Confesso que vivi.
Gosto do que faço. Tenho sorte e conquistei o direito e o prazer de fazer somente o que gosto.
Tenho uma irmã, cronologicamente mais nova que eu, jornalistacomdiploma. Já declarou que escolheu o curso universitário e a profissão por testemunhar e admirar minhas lutas, alegrias e conquistas profissionais. Minha filha, idem. A primeira é reconhecida como referência numa das áreas da Comunicação. A outra, embora em fase de estágio, já tem a sua marca e individualidade na área. Mea culpa, meu orgulho.
Essa é a questão. É contra esse modelo, que fomenta o enriquecimento dos mercenários da educação que precisamos, ‘comdiploma’ e ‘semdiploma’, nos insurgir.
Afinal, qual é o significado e o valor do diploma?
É justo reduzir a discussão a tempo e investimento financeiro?
Diploma ou passaporte?
Por que motivos a Federação, Sindicatos, Associações de Classe engessaram-se em ações corporativistas.
A Federação Nacional dos Jornalistas diz que o diploma (como parte de uma regulamentação profissional) é um direito do jornalista. Não é.Direito de jornalista é trabalhar em condições dignas, o que inclui, especialmente, o respeito à integridade que o produto de seu trabalho fizer por merecer. Diploma não tem nada com isso.Diploma tampouco impede que o jornalista cometa assassinatos de caráter, o que não é propriamente raro na imprensa brasileira. Nem garante que o consumidor do trabalho jornalístico terá respeitado o seu direito essencial à informação honesta, fundamentada e veraz.Em tempo: este jornalista, que entrou pela primeira vez na redação de um jornal antes de entrar numa faculdade, tem a sorte de ser de um tempo em que não existia essa história de diploma. Nem ele, nem aqueles que lhe ensinaram o ofício, nem outros profissionais a quem mais admira, formaram-se em comunicação.
E é justamente de Cláudio Abramo uma das mais contundentes declarações contra essa obrigatoriedade: "Para ser jornalista, é preciso ter uma formação cultural sólida, científica ou humanística. Mas as escolas são precárias. Como dar um curso sobre algo que nem eu consigo definir direito? Trabalhei 40 anos em jornal e acho muito difícil definir o que meia dúzia de atrevidos em Brasília definem como curso de jornalismo. Foi o que fez o patife do Gama e Silva (ministro da Justiça de Costa e Silva), que elaborou a lei para tirar os comunistas dos jornais". (Cláudio Abramo, "A Regra do Jogo", São Paulo, Companhia das Letras, 2002, páginas 247 e 252)."
(Fonte: http://jornalistassemdiploma.blogspot.com/)
Muito ainda há que levar em conta na discussão do tema.
Urgente é a formação e o aperfeiçoamento dos profissionais de comunicação, para as diversas funções e responsabilidades na elaboração e adequação de conteúdos, a partir da renovação e inovações das mídias digitais e suas plataformas.
Recomendo a leitura:
Sexta-feira, Junho 19, 2009
MERVAL PEREIRA -O diploma e o monge
O GLOBO
Gostei muito de um comentário do Carlos Heitor Cony em seu programa com o Arthur Xexéo na CBN.Disse ele: "O diploma não faz o jornalista, assim como o hábito não faz o monge". Uma definição perfeita da situação que vivemos hoje, depois que o Supremo Tribunal Federal acabou com a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Cony completaria a explicação salientando que nós, jornalistas, somos que nem os jogadores de futebol, testados no campo, no dia a dia da profissão. Não adianta ser amigo do técnico, nem ser indicado por amigo do patrão ou do chefe. Se o jornalista não for competente na sua função, não resiste na carreira, ou vai ficar marcando passo. Com ou sem diploma.
http://arquivoetc.blogspot.com/2009/06/merval-pereira-o-diploma-e-o-monge.html
“Foi dada a eles a escolha de se tornarem reis ou mensageiros de reis. Com a ingenuidade das crianças todos escolheram ser mensageiros. Eis porque só existem mensageiros, que correm pelo mundo e, como não há mais reis, gritam uns para os outros mensagens que não têm mais sentido.”




