
Foliei pouco, ou nada, comparado à alegria e relatos dos recém iniciados e veteranos, a filha e os amigos, que cumpriram todos ou boa parte dos rituais profanos que sagram e consagram o fim e o início do ano, novo de cada dia.
Hoje já é domingo. Acabou a festa. A notícia que me ch
ega mais recente e interessante, até agora, é a que veio lá das bandas do Leblon. Sábado de sol e praia lotada. Fora d’água, um mar de gente, sambando, brincando e cantando buarquianas, ao som das ‘batuqueiras’ do “Bloco As Mulheres de Chico”.
Aliás, o Carnaval de 2009 do Rio de Janeiro foi
‘O carnaval dos blocos’.
Gente fantasiada, pintada, mascarada, no colo, no ombro, nos carrinhos de bebê, dos 5 aos ‘enta’, energia de sobra... Índios, anjos, borboletas, colombinas, oncinhas, pierrots, bailarinas... quanto riso, oh! qu
anta alegria... Que o diga o casal folião aí ao lado (Dora e um cara muito parecido com o Zé Sérgio* fantasiado de membro da ala terrorista do Islã português). Pra saber se é mesmo o Zé, a sugestão é visitar o blog "http://quemevivo.blogspot.com/" e ler o post de 16 de fevereiro "EU E O ZÉ, O ZÉ E EU" (aproveita e lê o blog na íntegra / dá pra pra rir e aprender um bocado) Sem passarela ou arquibancada, uns com camiseta, outros sem... A garotada de 10, 15, até perto dos 25, finalmente descobriu o que é carnaval!
Até bloco do ‘Rei’ inventaram (Exalta Rei, na Urca), e as canções num momento lindo, com direito a emoções, choro e a presença do 
próprio Roberto, bem ali, feito amigo de fé, irmão camarada.
Multidão invadiu a Avenida Rio Branco durante a passagem do bloco (Foto: Cláudia Loureiro/G1)
Do Leme ao Pontal, de Pilares a Ipanema, São Gonçalo a Niterói, da Lapa a Jacarepaguá, do Humaitá a Madureira, da Tijuca ao Engenho de Dentro, do Méier a Paquetá... dos 90 anos do Bola Preta, passando pelos 25 do Simpatia, 53 do Bafo da Onça, 11 do Segundo Clichê, Banda do Ingá, Dominó, Banda de Santa Rosa, Agoniza Mas Não Morre (o cordão do’s candongueiro’s), Gargalhada, Nem Muda Nem Sai de Cima aos mais novos, alguns estreantes, Chica Chica Boom Chic, Virtual, Arco-Íris, Os Vizinhos, Pisa na Frigideira, Cordão do Boitatá, Pacotão do Beco,Zumbi de Pilares, Carmelitas, Gigantes da Lyra... BeijaMim no Escuro, o primeiro Bloco carnavalesco no mundo guiado por cegos... Zumbi de Pilares, Carmelitas, Gigantes da Lyra... BeijaMim no Escuro, o primeiro Bloco carnavalesco no mundo guiado por cegos...
O ônibus '171 me engana que eu voto' circulou
entre os foliões na Praça XV, no Bloco Boitatá
(Foto: Cláudia Loureiro/G1)
Nunca se viu tanto bloco, quanta criatividade!!! E sambas de embalo e marchinhas de carnaval, as mais antigas que atravessaram gerações e as criadas recentemente, na garganta do povo, que resolveu reassumir e se apropriar de uma festa, que é e sempre foi, absolutamente sua, um chão que nos pertence, das ruas e das praças – ‘a praça Castro Alves é do povo... e o céu é do avião’, parafraseando Caetano – (pode! porque o Rio tem rua e viaduto com o nome de Castro Alves).
Foram quase 200 blocos e uma multidão de mais de 200 mil foliões (mais do o público estimado do sambódromo, nos desfiles das principais escolas de samba, domingo e segunda-feira) atravessou o Rio de norte a sul, leste a oeste, num arrastão do bem, na onda multicolorida do bom humor, da alegria, dos encontros e reencontros. Um rito de liberdade.
Segundo o jornal O Povo, a Sebastiana (Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro) e a prefeitura do Rio de Janeiro vão se reunir para avaliar a participação dos blocos no carnaval deste ano. O objetivo é saber o que pode ser melhorado para o a festa de 2010.
Tomara que tenham na lembrança o Gil e o Jackson do Pandeiro
e não venham com uma dança diferente -
(Convidei a comadre Sebastiana / Pra cantar e xaxar na Paraíba / Ela veio com uma dança diferente / E pulava que só uma guariba / E gritava A, E, I, O, U, ipslone / Já cansada no meio da brincadeira / E dançando fora do compasso / Segurei Sebastiana pelo braço / E gritei não faça sujeira...).
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(*) José Sergio Rocha, jornalista - Trinta anos de imprensa com passagens pelo Globo, Jornal do Brasil, Diário de Notícias, EFE, Latin-Reuters, O País, Petrobras e Petros. Foi supervisor de texto do Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro, do CPDOC (FGV). Escritor, autor da biografia "Roberto Silveira, a Pedra e o Fogo" (Casa Jorge Editorial, 2003) e de "Petros, 30 anos de história" (Mauad, 2002), além de dezenas de trabalhos como ghost writer