quinta-feira, 18 de junho de 2009

NOOSFERA (*)

Filosofia, aforismos e
a indústria da informação e da cultura


A Escola de Atenas (1510/11),
obra de Rafael, pintor renascentista italiano

"A unanimidade comporta uma parcela de entusiasmo, uma de conveniência e uma de desinformação."
C. Drummond de Andrade

“Foi dada a eles a escolha de se tornarem reis ou mensageiros de reis. Com a ingenuidade das crianças todos escolheram ser mensageiros. Eis porque só existem mensageiros, que correm pelo mundo e, como não há mais reis, gritam uns para os outros mensagens que não têm mais sentido.”
Franz Kafka

“A sociedade inteiramente administrada é a da subordinação de todas as esferas da vida ao fator econômico. Ela é uma “prisão ao ar livre”, na qual “a garantia de não morrer de fome é obtida em troca do risco de morrer de tédio”.
Raoul Vaneigen

“...Ter em vista, na expressão, a coisa em vez da comunicação, é coisa suspeita: o que é específico, não extraído de esquemas preexistentes, aparece como uma desconsideração, um sintoma de excentricidade, quase de confusão. A lógica atual, que tanto se vangloria de sua clareza, colocou ingenuamente tal perversão na categoria da linguagem quotidiana. A expressão vaga permite àquele que a ouve representar-se aproximadamente o que lhe convém e que ele de todo modo já tem em mente. A rigorosa impõe uma compreensão inequívoca, um esforço conceitual, do qual as pessoas perderam deliberadamente o hábito, exigindo delas diante de todo conteúdo a suspensão dos juízos habituais e, deste modo, um certo afastamento, a que elas resistem violentamente. Apenas aquilo que elas não precisam compreender primeiro é tido como compreensível; só aquilo que, em verdade, é alienado, a palavra cunhada pelo comércio, é capaz de tocá-las como algo familiar. Poucas coisas contribuem tanto para a desmoralização dos intelectuais. Quem quiser subtrair-se a ela, tem que considerar todo conselho a dar atenção à comunicação como uma traição ao que é comunicado”.
Adorno

“o poder da indústria cultural provém de sua identificação com a necessidade produzida, não da simples oposição a ela, mesmo que se tratasse de uma oposição entre a onipotência e impotência”
Adorno

“quem escreve deve combinar o controle mais rigoroso, no sentido de que a palavra signifique a coisa e só a coisa, nenhum olhar de través com a auscultação de cada locução, o esforço paciente para ouvir o que linguisticamente, em si, se sustenta ou não se sustenta”
Adorno

“A falta de convicções dos jornalistas, a prostituição de suas vivências e de suas crenças só é compreensível como ponto culminante da reificação capitalista."
Georg Lukács

“...
Toda participação no mundo social, cultural,construído e administrado historicamente pelos dominantes e regido pelas relações de interesses está eivada pelo vírus da falsidade. O processo de exploração do homem pelo homem não existe apenas no mundo do trabalho, das leis, da repressão estatal, na estrutura da família, da igreja, da escola, na manipulação dos meios de comunicação. Dá-se em todas as manifestações de vida, no próprio ato de socialização, de conversação, de ajuda ao necessitado, de condescendência. Enxergar isso criticamente é um passo inicial para se tentar reverter as relações sociais de dominação presentes no cotidiano. Como é que um olhar enviesado pelo véu da ideologia vigente, que encobre e envolve todas as expressões sociocul turais, pode atingir a entranha das coisas e revelar suas relações perversas e mentirosas?”
Adorno


“...o aforismo, um protesto contra a maneira acadêmica padronizada de escrever e contra os sistemas fechados e “completos”.
Bruno Pucci, Professor doutor da Faculdade de Educação da U NIMEP e coordenador do grupo de estudos e pesquisas Teoria Crítica e Educação. Pesquisador do CNPq e da Fapesp

Ver o comentário de Olgaria Matos “A indústria da consciência”,
sobre a tradução de Minima Moralia, de Theodor Adorno, feita por Gabriel Cohn (Azougue editorial), publicado no portal Carta Maior - Arte & Cultura em 28/05/2009
http://www.cartamaior.com.br

(*) O conceito da noosfera é atribuído ao filósofo francês Teilhard de Chardin. Segundo ele, assim como há a atmosfera, a geosfera e biosfera, existe também o mundo ou esfera das idéias, formado por produtos culturais, pelo espírito, linguagens, teorias e conhecimentos. Seguindo esta linha de pensamento, alimentamos a noosfera quando pensamos e nos comunicamos. A partir de então, o conceito de noosfera foi revisto e conseqüentemente sendo previsto como o próximo degrau evolutivo de nosso mundo, após sua passagem pelas posteriores transformações de geosfera, biosfera, "tecnosfera" (temporária e em andamento) e, então, a noosfera.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Noosfera

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