
(fim da Quaresma, abrindo gavetas)
Dunas
Areia fina na dança do vento
Vôo sem rumo,
sem asas,
sem canto.
Calor que não queima,
chuva que não molha.
Infinito sem eco.
Imagens na retina.
Miragem.
Solidão.
O gosto do beijo,
o toque da pele,
desejo contido...
ilusão.
Silêncio.
*****************************************************ilusão.
Silêncio.
Que casa é essa?
Não tem porta, nem janela...
Por onde entra esse frio?
Parece que vai cair.
Aqui eu não posso ficar.
Do que essa casa foi feita?
Onde é que ela se finca?
Embaixo só tem areia?
Areia que o vento leva.
O vento balança a casa,
a casa que eu tanto quis.
É essa?
A casa precisa de ar.
Não tem porta, nem janela.
Por onde o ar vai passar?
O chão, o calor, esse teto...
A casa que eu tanto quis.
Areia que o vento leva.
O homem da minha vida...
O fruto do meu amor
O homem, o filho, o amor...
O filho que eu amo tanto...
A casa que eu ainda quero.
A porta aberta, a janela...
Dessa eu não vou desistir.
Pisar num chão que não cede,
erguer de novo.
Outra casa.
Parede, porta, janela...
o amor
que eu ainda quero.
Fincar tijolo, pilastra...
de novo, recomeçar.
Tentar ser mais forte que o vento,
e em vez de eco ou lamento,
reconstruir nova casa.
Do homem, do filho, de mim
Quem, sabe a gente descobre
um jeito de ser feliz.



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